domingo, 27 de outubro de 2013

Lucas 13:1-5.



O capítulo 12 do Evangelho de Lucas terminou com o fracasso dos judeus em discernir o tempo da chegada do Messias. Agora o capítulo 13 revela o orgulho individual e nacional do povo. Se você for um dos que acham que quando algo vai mal a alguém isso é porque a pessoa fez algo de errado, o que Jesus diz serve para você. E para mim também, pois não existe um ser humano que não goste de apontar o dedo para as falhas dos outros para desviar a atenção de si mesmo.

Os judeus vão a Jesus contar dos galileus aos quais Pilatos teria mandado matar enquanto ofereciam sacrifícios a Deus. A intenção deles é maliciosa, e Jesus percebe isso. Os habitantes da Judeia não toleravam os da Galileia e os consideravam inferiores. O comentário de Natanael no Evangelho de João sobre Nazaré, cidade da Galileia, revela a opinião comum na Judeia. Quando Filipe avisou Natanael que tinha encontrado Jesus de Nazaré, cidade da Galileia, sua reação foi: “Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?” (Jo 1:46).

Jesus não se limita a comentar o caso dos galileus, mas acrescenta outro também trágico: o desmoronamento de uma torre em Siloé que causou a morte de dezoito pessoas. Aquele que sonda os corações certamente sabe o que se passa no interior daqueles judeus orgulhosos de seu território, e por isso mostra que os habitantes da Galileia eram tão pecadores quanto os da Judeia:

“Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros, por terem sofrido dessa maneira? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão. Ou vocês pensam que aqueles dezoito que morreram, quando caiu sobre eles a torre de Siloé, eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu lhes digo que não! Mas se não se arrependerem, todos vocês também perecerão" (Lc 13:1-5).

Ao invés de pensarem na crueldade de Pilatos provavelmente eles estavam levantando suspeitas sobre a conduta das vítimas. No judaísmo, que era um sistema religioso de causa e efeito, bênção e prosperidade eram prometidas como recompensa para a obediência, enquanto para os desobedientes sobravam as adversidades, doenças e morte. Mas Jesus ensina algo que vai muito além do pensamento judeu: aos olhos de Deus, todos -- absolutamente todos -- são igualmente culpados e merecem morrer, a menos que se arrependam.

A carta aos Romanos diz que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus... assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 3:23; 5:12). Você já se enxergou nesse “todos” ou será que é como os da Judeia que se achavam menos culpados que os da Galileia?

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