domingo, 13 de março de 2016

Marcos 1:1-8



Jesus “veio para o que era seu” (Jo 1:11), isto é, o povo de Israel. Estes que “desde a criação do mundo” (Mt 25:34) haviam sido destinados a herdar um Reino que jamais teria fim, eram agora agraciados com a visita do próprio Rei, ainda que no caráter de Servo. Séculos de história haviam se passado até este momento para provar a incapacidade do homem de atender às santas demandas de Deus e demonstrar a paciência daquele que ainda estava disposto a dar mais uma chance a Israel. “A Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo.” (Jo 1:17).

Mas neste ponto só restam na terra prometida duas tribos, das doze originais: Judá e Benjamim, ou “judeus”, como a Bíblia as chama aqui. Séculos antes as dez outras tribos haviam sido dispersas entre os próprios povos pagãos dos quais tinha adotado a idolatria. Mesmo assim Deus pretendia restaurá-las um dia para que fossem um povo só, começando pelos judeus. Todavia a soberba era a marca registrada dos judeus, que acabariam por rejeitar este de quem João Batista dizia: “Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de encurvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias”(Mc 1:7).

“Assim surgiu João [Batista], batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados” (Mc 1:4). Batismo não era algo estranho ao povo terreno de Deus. Eles se lembravam de Moisés, e de como este havia sido lançado nas águas da morte por sua mãe para ser salvo das garras de Faraó. Também não podiam se esquecer de que seus “antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar. Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar”. (1 Co 10:1). Mesmo não sendo um batismo cristão o que João Batista ministrava, era também uma figura de morte, sem o que seria impossível Deus reiniciar o relacionamento com seu povo.

Deus vinha agora ao encontro do que restou de seu povo original, ao qual havia sido prometida uma gama de bênçãos terrestres jamais dadas a qualquer outro povo. Mas esse encontro não foi marcado num palácio real, em meio ao luxo e à riqueza, mas no deserto, uma clara figura do estado em que eles se encontravam aos olhos de Deus, depois de séculos de rebelião e desprezo contra Jeová. Por isso aquele era necessariamente um batismo de arrependimento para que eles, “confessando os seus pecados, fossem batizados por [João] no rio Jordão” (Mc 1:5).

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