segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Como evangelizar meus filhos?


 Se voce esta preocupada com sua filha que é jovem e se recusa a ouvir você falar do evangelho. Ela está simplesmente seguindo a onda atual, que é querer mostrar independência e autossuficiência (inclusive nas coisas eternas). O jovem não tem senso de finitude como tem um idoso, pois acredita que a morte é a exceção, não a regra da vida. Na cabeça da maioria das pessoas, quem morre é sempre o outro. Por isso o jovem não se preocupa muito com as coisas eternas, pois a imagem que tem é que isso é coisa de velhos. Obviamente é, porque o idoso sabe que seu relógio está agora em contagem regressiva.



De qualquer modo não se desespere e nem considere sua filha um caso perdido. Lembre-se de que não faz muito tempo você mesma estava tão perdida e alheia às coisas de Deus quanto ela, talvez não de modo a verbalizar sua incredulidade, mas mesmo assim tão perdida quanto. Muitas esposas, esposos, pais e filhos crentes não terão a oportunidade de testemunhar a conversão de seus queridos enquanto estiverem vivos, mas acabarão encontrando-os no céu. Agarre-se à promessa feita por Paulo ao carcereiro de Filipos:

"E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" At 16:30-31

Procure conversar com ela e falar do evangelho de forma clara e simples. O evangelho é basicamente o que você encontra nos primeiros versículos de 1 Coríntios 15, que Cristo morreu e Cristo ressuscitou. Muito cuidado para não despejar em sua filha um caminhão de versículos que possam até ser bonitos e motivadores, mas que não dão qualquer pista do caminho da salvação.

Por exemplo, um versículo campeão até entre incrédulos é "O Senhor e o meu pastor, nada me faltará" (Sl 23:1). Bíblias abertas na sala de casas ou escritórios costumam estar na página deste Salmo, pois muitos enxergam isso como um "pé de coelho", tipo um amuleto para dar sorte. O que a maioria das pessoas vê no versículo é apenas a parte que diz "nada me faltará", pois é o que agrada ao ser humano.

Mas poucos pensam nas implicações de se afirmar "o Senhor é o meu Pastor", pois não sabem que para Cristo realmente ser o Pastor de alguém é preciso que essa pessoa seja ovelha dele, tenha se reconhecido pecadora e se prostrado por fé aos pés do Salvador, arrependida de seus pecados e confiando que o seu sangue derramado na cruz foi suficiente para limpá-la, e sua ressurreição a provisão de Deus para justificá-la.

Afirmar meramente "o Senhor é o meu Pastor", sem realmente crer nele, é colocar-se de modo informal e exterior sob o senhorio de Cristo, ou seja, adotar para si todas as responsabilidades que recaem sobre aqueles que não ignoram os desígnios de Deus. Sabe aquelas frases de filmes policiais, "tudo o que você disser poderá ser usado contra você"?. Pois é, tal pessoa, mesmo que não se converta de verdade, ao afirmar "o Senhor é o meu Pastor" estará se colocando sob a responsabilidade da passagem que diz:

"E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado.E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá" (Lc 12:47-48).

Outra página campeã das Bíblias abertas na sala é o Salmo 91: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará". O Salmo segue com diversas promessas para aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, como proteção dos inimigos, das doenças, do medo e terror, da morte, do mal, da praga, além da sensação de poder que transmite frases como "mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegarão a ti", ou "pisarás o leão e a cobra, calcarás aos pés o filho do leão e a serpente".

Ou seja, se a pessoa não entender com clareza que "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo" é o próprio Senhor Jesus, o Único que tem direito a essa posição, e que é somente estando nele que alguém pode ter tais promessas, acabará lendo esse Salmo como se fosse um mantra ou uma fórmula mágica não muito diferente das usadas em feitiçarias.

É preciso lembrar que, em se tratando de promessas bíblicas, "todas quantas promessas há de Deus, são NELE (em Jesus) sim, e por ELE (por Jesus) o Amém, para glória de Deus" (2 Co 1:20). A menos que a pessoa esteja pela fé em Cristo, salva e perdoada por ele, não poderá contar com quaisquer promessas bíblicas, por mais bonitas e motivadoras que possam parecer.

Conheco filhos de pastores  que nao querem  nem ouvir falar de Jesus, mas não se deixe levar por aquilo que uma pessoa incrédula diz, porque obviamente nenhum de nós queria ouvir falar de Cristo antes de nossa conversão. Se parecíamos querer, isso nada mais era do que educação, curiosidade ou alguma influência religiosa que via a Jesus como mais um dentre os muitos "gurus", "santos" e "iluminados" da história, como era o meu caso antes de minha conversão.

Alguém sugeriu (dizem ter sido São Francisco de Assis): "Pregue o evangelho e, se precisar, use palavras". Com isto ele quis dizer que em alguns casos, e principalmente quando as palavras parecem não fazer mais efeito, o testemunho de uma vida cristã pode falar mais alto do que muito falatório. Isto é o que ensina Pedro em sua carta ao falar das mulheres crentes casadas com homens incrédulos, que obviamente não gostam muito de ouvir da Palavra de Deus:

"Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra; Considerando a vossa vida casta, em temor. (1 Pe 3:1-2)

Mas eu entendo que neste caso essa mulher provavelmente já tenha falado de Cristo para seu cônjuge, porém para evitar atritos acabe "pregando" depois com seu modo de proceder.

Lembre-se sempre de que o evangelho (as boas novas de que Cristo morreu para pagar nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação) "é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16) e "a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar" (Rm 4:12-13).

Portanto, é importante que em algum momento a pessoa tenha escutado a Palavra, pois o poder não está em quem prega a Palavra, mas na própria Palavra. É um poder sobrenatural e colocado em ação numa alma por meio do Espírito Santo, como a espada que tudo penetra e deixa evidente cada detalhe das vísceras do pecador. Ao entrar em contato com a Palavra a consciência do pecador não fica imune a esse contato. Apesar de Deus ter entregue a seres humanos a tarefa de divulgar as boas novas, todo o processo de conversão vem de Deus, não do homem, para que toda a glória também seja dada a Ele.

Existem algumas dicas práticas para se levar alguém da família a ter contato com a Palavra de Deus. Uma é sutilmente introduzir alguns versículos evangelísticos na decoração de sua casa, colocar um calendário de versículos evangelísticos na parede da cozinha, "esquecer" algum folheto ou livro em algum lugar da casa (o banheiro é ótimo para isso) e sempre regar todas essas estratégias com muita oração.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Seja curioso e leia a Biblia.


Lucas 12: 40-44

A lição deste capítulo 12 de Lucas continua mostrando que não estamos aqui apenas esperando pela vinda do Senhor, mas vigiando e trabalhando. Um vigia não pode cochilar, caso contrário é pego de surpresa. Além da admoestação para vigiarmos (Lc 12:37) existem outras características daquele que realmente vive na expectativa de encontrar-se com Jesus a qualquer momento. Ele diz:

“Estejam também vocês preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não o esperam... Quem é, pois, o administrador fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos seus servos, para lhes dar sua porção de alimento no tempo devido? Feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens” (Lc 12:40-44). Portanto, devemos estar preparados, isto é, sempre prontos, pois não sabemos quando o Senhor virá nos buscar. Se você depende da carona de seu amigo que vai passar em sua casa para pegá-lo, o que você faz? Deixa para se aprontar quando seu amigo estiver buzinando no portão ou fica de prontidão?

Deus avisou os israelitas no Egito que deviam se aprontar para sair dali imediatamente após comerem o cordeiro assado no fogo -- uma figura de Cristo sacrificado em lugar do pecador. Deus disse a eles: “Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente” (Êx 12:11). Não sei se existe outro lugar na Bíblia que mostre tamanho senso de urgência. Afinal, você consegue imaginar pessoas comendo com uma mão e segurando um cajado na outra?

Outra exortação para aquele que espera é que seja como um “administrador fiel e sensato”, encarregado de alimentar e cuidar daqueles que o seu Senhor colocou sob sua responsabilidade. Mas como alimentar outros com a Palavra de Deus se nós mesmos não nos alimentarmos dela todos os dias? E se não soubermos administrar o que temos nesta vida, como iremos administrar as coisas do Senhor no futuro? “Com ele reinaremos”, diz 2 Timóteo 2:12, portanto “feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens” (Lc 12:43-44). 

Portanto, quando o Senhor vier, não irá querer nos encontrar ociosos, e sim ocupados com os interesses dele. Alguns cristãos sentem arrepios quando ouvem falar de boas obras, e vão logo disparando versículos que afirmam que não somos salvos por obras, o que é verdade. Mas somos salvos para um propósito, e este é claramente indicado após o versículo de Efésios 2 que diz que somos “salvos pela graça, por meio da fé... não por obras, para que ninguém se glorie. Somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Ef 2:8-10). 

Comer, beber e alegrar-se. Lucas 12:45-46.


Por três vezes neste capítulo Jesus falar de comer, beber e alegrar-se. A primeira, no versículo 19, expressa o desejo do fazendeiro rico, que quer aumentar seus celeiros para garantir uma vida sossegada. Ele diz a si mesmo “coma, beba e alegre-se” (Lc 12:19), sem saber que irá morrer. Ele quer assegurar uma aposentadoria feliz, o que é perfeitamente lícito. O problema está em excluir Deus de seus planos e confiar em sua própria capacidade. Ele pode até ser um bom cidadão, que cuida de sua família, gera empregos e faz caridade, mas Jesus o chama de “louco” ou “insensato”. Por quê?

Porque loucos são os que “tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível... Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador” (Rm 1:21-25).

Embora Romanos 1:21-25 esteja falando dos pagãos, a descrição serve para todos os que idolatram a capacidade humana e vivem em função das coisas criadas. Nesta classe estão os céticos, ateus, humanistas, racionalistas, hedonistas ou quem quer que viva uma vida de indiferença para com Deus, ainda que seja politicamente correto e se preocupe com o ser humano, a comunidade e a salvação do planeta. Alguns acrescentam ao seu humanismo uma pitada de espiritualidade e vivem a vida apenas para comer, rezar e amar.

No versículo 37 de Lucas 12 é a vez dos verdadeiros servos desfrutarem por graça aquilo que o rico buscou obter pelo esforço. Destes, Jesus diz: “Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los” (Lc 12:37). Existe um tempo de descanso, satisfação e alegria para quem crê em Jesus e espera por ele. Mesmo que passe por dificuldades e necessidades nesta vida, ele comerá, beberá e se alegrará quando for servido pelo próprio Senhor.

A próxima passagem sobre comer, beber e alegrar-se é a do falso servo no versículo 45. Ali diz: “‘Meu senhor se demora a voltar’, e então começa a bater nos servos e nas servas, a comer, a beber e a embriagar-se.” (Lc 12:45). Este é o religioso que nunca se converteu, mas chama Jesus de Senhor. Ele não liga para a vinda de Cristo e é pior que o ímpio, que quer apenas comer, beber e se divertir. Ele quer embriagar-se, e é o que acontece com quem detém o poder religioso. Como um ébrio insensível, ele não tem escrúpulos em massacrar as ovelhas que apascenta. Mas sua sentença é clara: “O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe, e o punirá severamente e lhe dará um lugar com os infiéis” (Lc 12:47). Ou seja, o seu destino é o lago de fogo.









segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O dono da casa e o ladrao. lucas 12:39


 Nos versículos 37 e 38 deste capítulo 12 de Lucas Jesus chama de “servos” aqueles que esperam por sua vinda iminente, mas a linguagem muda no versículo 39. Agora ele apresenta outro tipo, que chama de “dono da casa”, antes de exortar os discípulos a estarem preparados para sua vinda. Ele diz: “Entendam, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não permitiria que a sua casa fosse arrombada. Estejam também vocês preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não o esperam” (Lc 12:39-40).

Em 1 Timóteo 3:15 Paulo chama o testemunho cristão de “casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”. Porém em 2 Timóteo 2:20 aquela casa é vista em um estado de degradação como uma “grande casa” na qual “há vasos não apenas de ouro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins honrosos, outros para fins desonrosos”. O mesmo que os líderes do judaísmo fizeram com a casa de Deus de então, os cristãos fizeram com o a casa de Deus na atual dispensação. Em Lucas 19, enquanto expulsava os vendedores do Templo, Jesus dizia: “Está escrito: ‘A minha casa será casa de oração’; mas vocês fizeram dela um covil de ladrões” (Lc 19:46).

Por causa da volúpia por riquezas e poder, a imagem que o mundo tem hoje do cristianismo é muito diferente daquela encontrada nos primeiros cristãos. Neste capítulo Jesus diz que “onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração” (Lc 12:34), isto é, o tesouro é o imã que atrai o coração. Ao adotar para si as bênçãos terrenas que eram prometidas a Israel, a Igreja colocou o seu foco no acúmulo de tesouros terrenos. Não foram os pregadores do evangelho da prosperidade que inventaram isso, mas foi o comportamento adotado desde o terceiro século, quando os cristãos deixaram de ser perseguidos para se transformarem em perseguidores.

O patrimônio da cristandade é imenso, se somarmos as riquezas de suas organizações. Não é de admirar que, no último estágio do testemunho cristão no mundo, representado por “Laodicéia” em Apocalipse 3, ela se considera rica e bem suprida. Mas a opinião do Senhor é outra: “[Você] é miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho: Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (Ap 3:17-18).

O caráter de “dono da casa”, usado pelo Senhor em sua parábola, cai muito bem para aqueles que apenas professam ser cristãos e também para a cristandade institucional. Para estes a vinda de Cristo será como a chegada inesperada de um ladrão e irá pegá-los de surpresa, causando a perda de tudo o que juntaram aqui.

domingo, 29 de setembro de 2013

Meia noite! lucas 12:37-38


 O capítulo 12 de Lucas nos exorta a vivermos na expectativa da vinda iminente de Jesus, justamente por não sabermos quando será. Ele diz: “Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes... Quer ele venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar” (Lc 12:37-38). Em Marcos 13:35 ele fala das quatro vigílias usadas na época: “...à tarde, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer”. Porém aqui apenas duas são mencionadas, a da “meia-noite” e a do “cantar do galo”, pois o assunto é sua vinda para os seus, e não para o mundo.

A vigília da “meia-noite” é mencionada na parábola das dez virgens, que nos fala da responsabilidade dos que levam o testemunho de Deus na terra, sejam genuínos ou falsos; com ou sem o azeite do Espírito. Mateus 25:6 diz que “À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima!’”. Este aviso a todas as virgens foi dado há cerca de duzentos anos, quando muitos cristãos voltaram a pregar que Jesus voltaria a qualquer momento para arrebatar sua Igreja.

A Teologia do Pacto, adotada até então por católicos e protestantes, não tinha qualquer preocupação com a vinda iminente de Jesus. Por considerar a Igreja como a legítima sucessora de Israel, portanto beneficiária das bênçãos terrenas prometidas àquele povo, durante séculos o foco da cristandade esteve em conquistar o mundo para a Igreja e não as pessoas para Cristo. O objetivo era preparar o mundo para Jesus poder vir reinar. Nessa visão não havia lugar para a ideia de Jesus vir buscar sua Igreja a fim de levá-la para o céu.

No século 19 foram restauradas algumas verdades das Escrituras que estavam perdidas sob o entulho de dogmas católicos e protestantes. Uma delas foi a posição singular da Igreja como algo totalmente novo, e não como sucessora de Israel. Ao contrário do Israel terreno, a Igreja teve sua origem no céu com a vinda do Espírito Santo do céu, e estava destinada a ser levada de volta para o céu com a retirada do Espírito deste mundo. Isto foi chamado de arrebatamento da Igreja, ou a vinda de Jesus para encontrar o seu povo nos ares, não no chão.

Portanto a partir do século 19 os cristãos voltaram a esperar por Jesus para tirá-los do mundo, não pela morte, mas no arrebatamento. A redescoberta desta verdade teve efeitos colaterais tanto na evangelização quanto na política mundial. Se Jesus podia voltar a qualquer momento era importante levar o evangelho o mais rápido possível a mais pessoas, e este sentimento impulsionou a evangelização dos povos pagãos. Além disso, o conhecimento de que a Igreja não era sucessora de Israel, e que a antiga nação ainda teria suas promessas realizadas, gerou um movimento em prol da volta dos judeus à sua terra.

Obviamente os que se consideravam “donos da casa” da cristandade não viam com bons olhos estas ideias.

O dia e a hora nimguem sabe! lucas 12:37-38


 Ao contrário do que muitos falsos profetas têm feito, não encontramos na Bíblia qualquer autorização para determinar o momento exato da vinda de Jesus. Em Marcos 13:32 o Senhor diz: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai”. Por causa desta passagem alguns colocam em dúvida a divindade de Jesus. Se ele era Deus, como poderia desconhecer o dia e a hora de sua própria vinda?

Mas um versículo em João 15:15 indica que “o servo não sabe o que o seu senhor faz”, e era neste caráter que Jesus estava no mundo. Filipenses 2:6-7 diz que “Cristo Jesus... embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens”. Como Deus ele sabia, mas como servo não lhe era dado saber, principalmente se a finalidade fosse revelar isso a outros.

Atos 1:6-7, embora se referindo aos discípulos, ajuda a entender a competência que cada um tem conforme sua posição e autoridade. Ali diz: “Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: ‘Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?’ Ele lhes respondeu: ‘Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade’”.

Com base nisto podemos dizer que a Jesus, o Filho, em seu caráter de Servo, não competia saber a data de sua vinda, pois tal conhecimento era da competência exclusiva do Pai. Se Jesus usasse de sua prerrogativa de ser Deus para revelar a data de sua vinda, estaria passando por cima da autoridade do Pai. Vemos que isto jamais aconteceria, pois ele próprio disse: “Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 6:38).

Sua submissão ao Pai era tamanha que até aquilo que ele tinha poder para fazer preferiu deixar que o Pai fizesse. Em João 10:18, ao falar de sua morte e ressurreição, Jesus revela ter autoridade ou poder para entregar sua vida e voltar a tomá-la, isto é, ressuscitar. Ele diz: “Tenho autoridade para dá-la e para retomá-la. Esta ordem [ou mandato] recebi de meu Pai”. Todavia ele não fez uso desse poder, como Paulo revela: “Deus Pai... o ressuscitou dos mortos” (Gl 1:1).

Portanto qualquer especulação em torno de datas é querer passar por cima da autoridade do Pai. Mesmo assim, temos indícios de que estamos nos últimos dias pois vemos o testemunho de Deus no mundo se deteriorando, e esta sempre foi uma característica de mudança de era ou dispensação. Sempre que Deus confia ao homem alguma responsabilidade as coisas começam bem e terminam mal.

O grande Juiz. lucas 12:37


 Se você já foi salvo por Cristo deve viver agora como um servo que aguarda ansioso pela volta de seu Senhor. Para os seus ele voltará para servi-los. Ele diz: “Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los” (Lc 12:37). “Ele se vestirá para servir” indica uma roupagem que nada tem a ver com a roupa de um juiz, que é como ele virá vestido para o mundo em geral.

Em Apocalipse 1:13-17, João descreve as vestes de Jesus em seu caráter de um juiz severo, e elas nada tem a ver com este manso Senhor que volta como se fosse um garçom para acomodar os seus confortavelmente reclinados à mesa e servi-los. O caráter do Senhor como o Juiz que virá para julgar o mundo pode ser visto no capítulo 1 de Apocalipse quando o Senhor apareceu ao apóstolo João numa roupagem de meter medo.

Ele trazia “uma veste que chegava aos seus pés”, semelhante à toga que vemos os juízes usarem nos tribunais. Também “um cinturão de ouro ao redor do peito” simbolizando a justiça e fidelidade com que ele julga, como em Isaías 11:5, que diz: “A retidão será a faixa de seu peito, e a fidelidade o seu cinturão”. “Sua cabeça e seus cabelos... brancos como a lã” representam sua eternidade, além da experiência e sabedoria de um ancião, como ele é visto também em Daniel 7:9.

“Seus olhos... como chama de fogo” nos falam de um conhecimento perfeito, de um discernimento infalível e de um escrutínio profundo. Você ficaria à vontade diante de alguém com olhos de fogo? “Seus pés... como o bronze numa fornalha ardente” mostram sua função judicial, pois o fogo prova todas as coisas. Sua voz é como “o som de muitas águas”. Será que alguém conseguiria se fazer ouvir diante do bramido das poderosas ondas do mar?

Em Gênesis vemos que os astros e estrelas foram criados para governar, e é o que representam as “sete estrelas” que Jesus tem na mão direita. Todo o governo está em suas mãos, a quem pertence todo poder, controle e honra. A “espada afiada de dois gumes”, que João vê sair de sua boca, é a Palavra de Deus, pela qual todos serão julgados. Finalmente, sua face “como o sol quando brilha em todo o seu fulgor” revela a glória da sua divindade (Ap 1:13-17).

Felizmente não será esta a visão que os salvos terão de seu Senhor. Para estes, como diz nosso capítulo em Lucas, ele virá vestido para servir e dar descanso. Obviamente o apóstolo João estava salvo quando Jesus lhe apareceu numa visão apenas para mostrar como virá para o mundo. Mesmo assim, para tranquilizar João, ele colocou sua mão direita sobre o apóstolo e disse: “Não tenha medo”.

E você, como espera por Jesus? Ansioso que ele volte para você ser servido por ele, ou aterrorizado pela expectativa de ele voltar para você ser julgado?